Pernambuco

CASO JONATAS

Comissões de DH da Câmara e Senado se reúnem para exigir justiça por criança assassinada em PE

Entidades e parlamentares rechaçam hipótese da Policia Civil de envolvimento das famílias com o tráfico de drogas

Brasil de Fato | Recife (PE) |
População da comunidade Engenho do Roncadorzinho pedem justiça pela morte de Jonatas Oliveira, morto dentro de sua própria casa - Brasil de Fato

Na manhã desta sexta-feira (18), parlamentares, movimentos populares e dezenas de famílias agricultoras participaram uma diligência com a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, a Comissão de Direitos Humanos do Senado e moradores da comunidade Engenho Roncadorzinho. O encontro cobrou agilidade das autoridades em elucidar o crime e punir os responsáveis pelo assassinato de Jonatas Oliveira, de 9 anos, no último dia 10. A criança foi morta a tiros embaixo da cama após um ataque contra seu pai, o agricultor e líder comunitário Geovane da Silva Santos.


Moradores da comunidade protestam contra os recorrentes ataques contra comunidades rurais na zona da mata / Rodolfo Rodrigo

A Polícia Civil havia afirmado, em reunião no dia 17, que Jonatas teria sido morto por traficantes que queriam comprar as terras do  seu pai, o líder rural Geovane da Silva Santos, para criar cavalos. Perante a investigação, foi apontado que Geovane não quis vender as terras e, por isso, teria sido alvo da tentativa de homicídio. 

Mas, segundo as organizações populares e os moradores da comunidade, o motivo do crime seria a disputa por terras. Em nota, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Agricultura de Pernambuco (FETAPE) afirmam que "continuaremos acompanhando as investigações daquele crime hediondo, exigindo rigor e imparcialidade na condução do inquérito e, como afirmamos desde a nossa primeira nota pública, sendo certo que, independentemente da motivação, é inadmissível e repugnante a invasão da casa de uma família e a execução cruel de uma criança".

O deputado federal e agricultor familiar Carlos Veras (PT), afirmou que a luta pela regularização das terras é antiga. “Eu venho acompanhando isso desde a época que era presidente da Central Única de Trabalhadores (CUT) e esse é um momento de muita tristeza, muita revolta, porque essa terra é desses trabalhadores e trabalhadoras. Essa propriedade é habitada por eles há séculos. E agora a gente vai acompanhar todos os processos da investigação e continuar lutando até o momento de ter essa terra na mão, de forma oficial, para que todos os trabalhadores e trabalhadoras possam produzir”, disse.


Senador afirma que o crime foi motivado pela disputa por terras / Rodolfo Rodrigo

O Senador Humberto Costa (PT) relembra que historicamente as empresas que são proprietárias daquelas terras têm débitos com o Governo Federal. O Congresso Nacional, então, pode cumprir o papel de levantar o debate para que o Legislativo apresente propostas em torno da regularização.

Sobre as informações divulgadas pela Polícia Civil, o Senador afirmou: “Isso é trabalho de alguém que não quer fazer uma investigação séria. Na verdade aqui não tem nada a ver com problema entre traficantes, ninguém aqui tem participação com tráfico de drogas. São trabalhadores honestos, humildes, que trabalham para produzir alimentos para si e para a comunidade. Então, é inaceitável esse tipo de conclusão. O que se sabe, com certeza, é que o que está por trás do que ocorreu aqui é conflito agrário, é luta pelo direito a essa terra, e é inconcebível que quem sequer recebeu indenização por ter trabalhado anos numa usina não tenha possibilidade de desfrutar da terra”

Leia: ARTIGO | Era uma vez no Oeste: o infanticídio político de Jonatas na Zona da Mata de PE

O crime ocorreu em Barreiros, Mata Sul do Estado, no último dia 10. De acordo com uma coletiva de imprensa realizada pelas polícias Civil e Militar, foram apreendidas três possíveis acusados, identificados como Manoel Bezerra Siqueiro Neto, Michael Faustino da Silva, e um adolescente de 15 anos.

Os três foram encontrados pela polícia no Engenho Cocal Grande, na área rural de Tamandaré. O adolescente e um dos homens detidos teriam confessado a participação.

 

 

Edição: Vanessa Gonzaga