Bahia

SÃO JOÃO

Com retorno dos festejos juninos artistas questionam modelo de festa adotado

Em Senhor do Bonfim 70% dos artistas contratados não correspondem à linguagem musical junina

Brasil de Fato | Salvador (BA) |
A festa de São João de Senhor do Bonfim, conhecida como a capital baiana do forró, volta a acontecer em 2022, após dois anos de interrupção por causa da pandemia de covid-19.
A festa de São João de Senhor do Bonfim, conhecida como a capital baiana do forró, volta a acontecer em 2022, após dois anos de interrupção por causa da pandemia de covid-19. - Prefeitura Municipal de Senhor do Bonfim

Bastante conhecida na Bahia, a festa de São João de Senhor do Bonfim volta a acontecer em 2022, após dois anos de interrupção por causa da pandemia de covid-19. A capital baiana do forró já tem a programação da festa anunciada. Do dia 22 ao dia 26 de junho, se apresentam no Espaço Gonzagão, em sua maioria, grandes artistas de fora da cidade.

Diante desse cenário, apesar da animação pelo retorno da festa, a classe artística reflete sobre a falta de valorização dos artistas locais e das tradições. Salomão Pedro de Oliveira, músico e ex-conselheiro Estadual de Cultura do Estado, avalia a relação do poder público com o setor cultural da cidade durante o São João. "A gente vem sentindo um ataque brutal em relação à participação dos artistas locais. Ou seja, Senhor do Bonfim é conhecida como capital baiana do forró e a gente tem notado que, dentro das grades das contratações que a Prefeitura vem fazendo, 70% dos artistas, infelizmente, não correspondem à linguagem musical dos festejos juninos", destaca.

Nesse período junino, a economia da cidade se aquece, mas poderia ser ainda mais movimentada se os recursos destinados à festa ficassem na cidade, como explica Salomão. "Economicamente o município cresce a cada ano. Mas também é preciso ter um olhar para os artistas da terra, aqueles artistas que esperam o ano todo para participar desses festejos".

Nos bairros e nas casas de Senhor do Bonfim, o São João vai se fazendo principalmente pelo povo. Reconhecer e fomentar as expressões culturais tradicionais são ações fundamentais de acordo com Salomão, que destaca que "preservar as tradições, para quem mora em Senhor do Bonfim, é a manutenção do canto da sanfona, das culturas locais, dos artistas, do artesanato, das carroças que sempre tiveram uma grande apresentação, as quadrilhas. Isso que de fato faz o São João da nossa terra".

As críticas ao modelo de festa de São João que vem sendo realizado se somam as críticas da falta de incentivo e fomento o ano todo. "Falta o chamamento público, faltam os editais de cultura, falta uma prestação de contas e um acompanhamento do próprio Ministério Público para que o setor da cultura venha a se desenvolver no formato correto", conclui Salomão.

Edição: Jamile Araújo