Pernambuco

CONGRESSO

60 anos da Fetape: entidade celebra a sua história com um olhar para o futuro

Comemoração contou com representações de 175 sindicatos e também de políticos

Brasil de Fato | Recife, PE |
O primeiro STR do Brasil foi fundado em Pernambuco há 60 anos e desde então a categoria atravessou ditaduras militares, a redemocratização e o bolsonarismo - Ubira Machado/ FETAPE

A Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares do estado de Pernambuco (Fetape) completou 60 anos este ano. A celebração aconteceu no 11º Congresso Estadual de Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Pernambuco (CTTR-PE) no Centro de Formação Luiz Inácio Lula da Silva em Garanhuns, no agreste pernambucano. Com o lema “Plantar sonhos, colher esperança”, o evento contou com representações de 175 sindicatos e também de políticos para comemorar a história de luta da categoria.
 

“Nesses 60 anos a gente foi diversificando a forma de lutar, de agir, de enfrentar governos ditadores, de sentar à mesa e negociar direitos. Então, a gente antes dos anos 80 não tinha direito previdenciário, nós não tínhamos leis da questão agrária que fossem aplicadas. Tinha lei lá de 1971 da questão agrária, mas não era implementada no País, aí a gente começa a cobrar essas questões agrárias da lei para ser cumprida através da Fetape. Então, a Fetape ela foi se reinventando”, destaca a presidenta da Federação, Cícera Nunes, observa as transformações pelas quais a entidade passou nestes 60 anos.

História e coletividade

O primeiro Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Brasil foi fundado em Barreiros, na Zona da Mata, há 60 anos e, a partir disso, a história da categoria seguiu durante ditaduras militares, perseguições políticas, a redemocratização e o bolsonarismo. O agricultor familiar Aristides Santos entrou para a federação em 1987, já foi presidente da entidade e hoje está à frente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), ele acredita que é a organização que fortalece a luta dos sindicatos rurais.

“Os trabalhadores rurais, agricultores e agricultoras familiares são fortes porque têm organizações fortes. Nós somos fortes porque temos organizações fortes porque coletivamente temos que estar juntos para ter um sindicato forte, para organizar a nossa produção, para ter uma cooperativa forte, uma associação forte. Aí sim, a gente é forte quando estamos organizados, para que juntos a gente possa produzir e alimentar a maioria da população brasileira como fazemos hoje”, afirma Aristides. 

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As mulheres tem alcançado cada vez mais espaços de liderança na entidade / Lucila Bezerra/ Brasil de Fato PE


Lideranças femininas

No congresso deste ano, Cícera Nunes foi reeleita presidenta da Fetape com 97, 66% dos votos. Até hoje, ela é a primeira mulher a presidir a federação e destaca a importância das mulheres ocuparem este espaço. 

“O movimento sindical tem hoje uma grande abertura nesse sentido no nosso estado de Pernambuco e no Brasil, pela Contag. As mulheres sempre tiveram sim os seus direitos e eram negadas no sindicalismo rural. Então, a gente tem tido uma grande vitória e aqui em PE os 60 anos da nossa federação hoje um congresso coordenado por uma mulher é motivo muito de esperança, de esperançar”, aponta a agricultora.

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Assim como Cícera, outras mulheres também vem ocupando espaços nos sindicatos. Uma delas é a agricultora familiar de Caiçarinha da Penha, distrito de Serra Talhada, Eluziane da Costa, de 26 anos, que participou do seu primeiro congresso este ano.

“Esses espaços, tanto os sindicatos quanto a federação, são espaços muito importantes para a gente achar o nosso lugar e correr atrás dos nossos direitos. Então, muitas vezes a gente fala que não tem vez, que a gente não tem voz, mas a gente também não se agrega a esses espaços. Eu vi no sindicato essa abertura que poderia me colocar nesse espaço de lutar, ir a favor dos meus direitos, o que eu concordava, o que eu não concordava. Então, foi nesse espaço que eu me encontrei”, destaca Eluziane, que hoje é pré-candidata à presidência do STR do município e pode se tornar a primeira mulher eleita no local, dando continuidade à luta dos trabalhadores e trabalhadoras rurais.

Edição: Elen Carvalho